Narcisismo

Clara Sauberman – Psicóloga
Lucia M. de C. Barauna – Psicóloga e Psicanalista

I – O privilégio da Empatia como método

Kohut, ao longo da sua experiência clínica, foi constatando que a compreensão do psiquismo humano, através do modelo da mente até então desenvolvidos, não atendia às demandas de muitos dos seus clientes, que reagiam às suas observações com a forte sensação de não estarem sendo escutado no que era essencial para eles, no sentido de encontrarem um melhor conforto interior. Como estava mobilizado desde o início de sua trajetória na Psicanálise em destacar a importância da fala do outro na comunicação das suas vivências, e considerando que todas as teorias psicológicas são instrumentos provisórios de observação de o complexo acontecer psíquico, entendeu que a escuta analítica precisava ser apurada no sentido de permitir a interação do analista com as experiências específicas da história emocional de cada um.

Desenvolveu o conceito de self e de self objeto, através do qual poderia detectar as minúcias das vida emocional naquilo que elas tem de singular, com menos risco de enquadrar a vida mental dentro de modelos deterministas (pulsionais).
A empatia (aqui definida como a capacidade de nos imaginarmos na experiência emocional do outro), como método de captação de dados na experiência analítica, contribuiu significativamente para que a expansão da compreensão do psiquismo pudesse evoluir. (Barauna, 2000).

II – Narcisismo e suas vicissitudes

Kohut, começando a observar que os pacientes lhe solicitavam algo novo, isto é, que não estavam lhe comunicando simplesmente uma resistência ao processo de análise, entendeu que requeriam do analista um suprimento de algo que lhes faltava.

Isso o levou a supor que o narcisismo não poderia ser entendido uma só direção como algo que tende a desaparecer ou diminuir ao longo da vida. Que na verdade havia duas linhas de desenvolvimento separadas, mas não independentes e que, além disso, o narcisismo se transformaria.
Estas idéias de Kohut são singulares uma vez que sugerem que o narcisismo não é patológico e que as estruturas narcísicas construídas precisam ser reorganizadas e integradas à personalidade.

Texto apresentado na Jornada 2006 (setembro), da ABEPPS (item 4 do 1º Módulo)