Ação Terapêutica do Amor Analítico

O artigo suscita uma pergunta fundamental: qual a diferença entre o amor analítico e outros tipos de amor?.

São várias as diferenças que podemos encontrar. De acordo com minha perspectiva uma me parece fundamental.

Usando a palavra desejo winnicottianamente eu diria que todo analista, como nos diz Shaw, tem o desejo de que seu analisando progrida. Mas este desejo diretamente aplicado à situação analítica pode se transformar em um dever para o analisando e uma obsessão do analista.

Por isso é importante que se saiba que não é o desejo direto de melhora que levará o tratamento adiante. O progresso da terapia depende basicamente da compreensão da dinâmica que o analisando está vivendo, daquilo que se passa na sua subjetividade ela própria e na sua subjetividade em relação ao analista. Sentindo-se compreendido o analisando se sente amado e autorizado para ir em frente.

Isso significa que o desejo direto de melhora do analisando deverá se transformar em desejo de compreender o que está se passando no seu psiquismo. Para isso é preciso que o analista se dispa de seu narcisismo para poder ouvir com a máxima pureza possível os sentimentos, fantasias e emoções do analisando. Desejar que o analisando progrida, quando pensado sem mediações poderá corresponder a um desejo narcísico com consequências no comportamento em que o crescer pode vir a se transformar numa ordem que o analista dá ao analisando.

No amor analítico é preciso que analista nada deseje, ou melhor, que seu desejo de melhora fique como uma insinuância de fundo para que não venha a repercutir em seu comportamento terapêutico. O analista que ama analiticamente está ali para compreender o seu analisando e agir discretamente de acordo com essa compreensão.

Nos outros tipos de amor os dois parceiros sempre desejam algo do outro: desejam o amor, o conforto, a segurança, a tranquilidade, o sentimento de potência, ou qualquer outra coisa. Já o analista não deverá desejar nada em troca da compreensão e seus derivados que ele proporciona ao analisando, embora certamente hajam ganhos secundários para o analista sem o que, a médio prazo não seria possível uma analise.

Resumindo mais uma vez, numa relação não-analítica a cobrança entre os dois parceiros é a regra. Eu dou mas quero receber. Numa relação analítica não pode haver nenhuma cobrança por parte do analista.

Comentários feitos por Nahman Armony sobre o Artigo “Sobre a Ação Terapêutica do Amor Analítico” de Daniel Shaw

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